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13 Set 2018 15h32

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A tara dos extremistas

Eles só pensam na Globo, não suportam o sucesso da emissora e suas novelas, mas não perdem uma. Eles só admitem como pop stars seus próprios Chefes políticos, a que seguem como manada.

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Arte:

Há uma tara contra a Globo que une parcelas consideráveis de boçais da esquerda e da direita. Todos os canais de TV estão fazendo ou vão fazer debates e entrevistas com candidatos. No entanto, só a Globo desperta o ódio das duas parcelas, que a julgar pelas pesquisas representam cerca de 58% do eleitorado. Como a Globo é líder disparada de audiência, pode-se concluir sem chance de erro que a maioria esmagadora desses 58% é formada por macacos e macacas de auditório da própria TV Globo.

 

A tara tem uma explicação psicanalítica. Eles não suportam o sucesso de ninguém, ante sua própria insignificância e anonimato. O mundo em que eles gostariam de viver é um mundo em que somente seus grandes chefes façam sucesso. Um, por exemplo, pode roubar à vontade quanto quiser; o outro pode dizer e fazer qualquer insanidade que lhe dê na telha, como atentar contra o sistema de esgotos do Rio de Janeiro, fazer apologia da tortura, pregar o assassinato de marginais.

 

Ambos têm o aplauso de seu público. Ambos são pop stars que representam os mais profundos recalques e frustrações de seus adeptos. Uns gostariam de roubar tanto quanto seu líder, mas não têm nem habilidade nem oportunidade; outros gostariam de matar bandidos como moscas, fechar o Congresso e o Judiciário para não atrapalharem, mas não têm nem habilidade nem oportunidade, pois o bandido chega sempre antes e foge sempre na hora certa.

 

Tanta frustração se explica pelo fato de não terem uma verdadeira consciência pessoal de si e do mundo. A incapacidade de elaborar essa consciência é tão grande que “compram” a do seu líder, como quem compra uma lata de tomate no supermercado para fazer sua macarronada. E saem repetindo como papagaios as palavras de ordem ou a ordem do dia dos seus Chefes.

 

Eles juntos são maioria no Brasil, e isto é preocupante, mas estão irremediavelmente divididos por barreiras ideológicas intransponíveis. Sorte a nossa, sorte a do Brasil. O pessoal mais sensato está entre os 42% restantes e esse grupo é maior do que os 20% de bolsonaristas e os 38% de lulistas, conforme as pesquisas em que esses dois candidatos apareciam juntos. A diferença para os lulistas é, no momento, muito pequena, mas com o presidiário fora de circulação por seus próprios méritos a tendência é que sua capacidade de transferir votos caia e ele seja gradualmente esquecido.

 

Nesse raciocínio estão considerados somente os votos válidos – excluídos nulos, brancos e os indecisos. Estes passam de 20% e se saírem da sombra engrossarão os 42% para algo perto de 60%. A maioria deles tende a votar nos candidatos mais sensatos, pois os votos dos extremos já estão definidos e para esses candidatos (Bolsonaro e Lula&Haddad) há muito pouco ou nada mais a conquistar. Já atingiram o ápice e daqui para a frente a curva tende a descer. Os adeptos dos extremos cairiam, portanto, dos 58% para coisa de 40% em relação ao total do colegiado brasileiro.

 

Daí a importância de os indecisos saírem de sua zona de conforto e virem para o terreno em que se definem os destinos da nação. E pelo que vi nos debates e sites dos candidatos, as propostas em que vale a pena pensar estão com Marina, Ciro, Alckmin, Meireles, Dias e Amoedo. Dos três primeiros sairá o candidato que disputará o segundo turno com a extrema direita – e nas simulações pesquisadas vencem por ampla margem. Que será ainda maior se os indecisos derem as caras.

 

Nelson Merlin

Editor e diretor de Redação em jornais de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná

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